Este blog é meu refúgio.
Aqui escrevo não apenas para lembrar, mas para sobreviver. Cada palavra é uma tentativa de organizar o caos que me cerca, de transformar feridas em cicatrizes que não doem tanto quando vistas de fora.
Durante muito tempo, eu me escondi em um grupo de escola. Achava que lá poderia encontrar companhia, talvez até amizade. Mas o que encontrei foi um palco de crueldades. Um espaço onde o riso era sempre às custas de alguém, onde a lógica era tão BURRA que a bondade se tornava fraqueza e a maldade virava passatempo.
Lembro-me do dia em que mandei um vídeo simples — eu, sorrindo, arrumando malas, vivendo. Algo pequeno, inocente, humano. Mas naquele lugar, ser humano era proibido. O retorno foi uma avalanche de figurinhas obscenas, xingamentos, ofensas que ultrapassavam a idade deles. Naquele universo distorcido, o errado era permitido, e o certo era punido. Eles chamavam isso de “zoeira”. Eu chamava de veneno.
Sempre me acusaram de querer chamar atenção. Engraçado, não? Eu, que só desejava ouvir um “que legal”, um reconhecimento mínimo de que minha existência não passava despercebida. Mas o silêncio deles era sempre quebrado pelo desprezo. Havia até uma voz constante, arrogante, sempre pronta a me calar, a me reduzir a nada. Aos poucos, aprendi a me calar por conta própria, não por falta de voz, mas por cansaço.
E então, um episódio que nunca esqueci. Uma influenciadora fazia uma live, sorteando produtos simples, sorrisos simples. Enquanto tentava doar alegria, recebia em troca o pior da humanidade. Xingamentos racistas, cruéis, disparados por aqueles mesmos que me cercavam. Contra ela, contra os sorteados, contra qualquer alvo disponível. Não era só burrice. Era desumanidade em estado bruto.
Ali percebi que não era apenas eu quem sofria. Eles espalhavam ódio como quem espalha cinzas ao vento, sem pensar para onde iriam cair.
Mas, no meio de tudo isso, havia uma exceção. Um rosto que nunca me virou as costas, uma presença que não se calou quando eu precisei de alguém. Um amigo.
Talvez ele nem saiba o quanto isso significou, mas foi ele quem segurou as rédeas da minha sanidade quando todos os outros tentavam puxar para baixo. Quando eu era ridicularizado, ele estava lá. Quando eu pensava em desistir de tentar, ele me lembrava que eu não estava sozinho.
E é por isso que, entre tantas figuras que já não merecem meu respeito, existe pelo menos uma que merece todo ele. O amigo que ficou. O amigo que não riu quando todos riam. O amigo que não me viu como um erro a ser corrigido, mas como alguém que apenas precisava ser aceito como é. A ele, minha gratidão.
Hoje entendo que não preciso estar onde não sou respeitado. Permanecer ali não era sinal de coragem, mas de prisão. Sair foi um ato de liberdade. E ao sair, aprendi: não é a quantidade de vozes que importa, mas a qualidade delas. Uma voz verdadeira vale mais do que cem gritos falsos.
Escrever isso é libertar um peso antigo. É soltar o ar depois de anos de sufoco. É olhar para trás e perceber que, mesmo cercado de escuridão, uma única chama já é suficiente para afastar as sombras.
Se você leu até aqui, agradeço. Você já fez mais por mim do que muitos que estiveram ao meu lado todos os dias. Obrigado por dar sentido às minhas palavras, por provar que, em algum lugar, ainda existe quem saiba escutar.
E a você, meu amigo que sempre esteve presente: este texto também é seu. Porque se hoje eu tenho força para escrever, é porque um dia você me deu força para não desistir.
Até o próximo post.
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